Entre os dias 11 e 14 de setembro de 2025, as estudantes de Psicologia da UNIPAC Barbacena Lívia Gomes, Gabriela Reis e Samira Meirelles, integrantes da Liga Acadêmica de Saúde Mental e Direitos Humanos (LASAMDH), participaram do 7º Fórum de Direitos Humanos e Saúde Mental, realizado em Juiz de Fora (MG) e promovido pela Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME).
O evento, que neste ano celebrou os 18 anos da ABRASME, consolidou-se como um espaço de diálogo e fortalecimento do campo antimanicomial, articulando debates entre direitos humanos, saúde mental e política de drogas. Sob o tema “Direitos Humanos e Luta Antimanicomial: Construindo uma Alternativa Popular para o Brasil”, o Fórum reuniu pesquisadoras/es, trabalhadoras/es, estudantes, usuárias/os, familiares e movimentos sociais engajados na defesa da dignidade, da cidadania e da diversidade. O encontro também contou com a presença de nomes expressivos nas lutas pela saúde mental no Brasil, como Paulo Amarante, Maria Aparecida Moysés e Ana Pitta, o que reforçou a relevância do Fórum como espaço de resistência, aprendizado e construção coletiva de saberes comprometidos com a transformação social.
Durante o Fórum, as estudantes participaram de atividades que possibilitaram aprofundar a compreensão sobre a realidade de Barbacena, cidade na qual foi formado um dos maiores complexos manicomiais do país ao longo do século XX, e os desafios do cuidado em liberdade. Entre elas, destacam-se o minicurso “Hospitais de Custódia e RAPS: Desafios, limites e possibilidades do cuidado em liberdade”, que abordou a implementação da Resolução 487/2023 do CNJ, e a mesa “Atenção psicossocial na infância e juventude: garantia de direitos”, conduzida por Carolina Morais, que apresentou aspectos do trabalho realizado no CAPSij de Barbacena, proporcionando reflexões sobre a atuação em contextos de vulnerabilidade social.
As estudantes também participaram de atividades voltadas à temática da redução de danos, como o “I Seminário Internacional – internação, abstinência e racismo em contextos transnacionais” e o “Simpósio Internacional de Redução de Danos”. Nessas discussões, destacou-se a importância de abordar a questão das drogas de forma antimanicomial, considerando o contexto social e cultural da guerra às drogas no Brasil, que atinge de maneira especialmente violenta pessoas negras, pobres e periféricas, e criticando a imposição da abstinência como única via de cuidado, desconsiderando a autonomia e o bem-estar dos usuários.

Além das atividades de formação, as estudantes apresentaram trabalhos em rodas de conversa, compartilhando experiências de estágio realizadas no CAPSij “Estação Vida”, vinculado à UNIPAC Barbacena. Esses momentos foram ricos em trocas, permitindo compreender a realidade de colegas estudantes e profissionais de diversas áreas, de forma a fortalecer o diálogo entre saberes acadêmicos, da prática e reafirmar a importância da articulação entre universidade, território e movimentos sociais. A participação no Fórum contribuiu para ampliar a formação crítica e cidadã das participantes, integrando teoria e prática e inspirando a construção de mais ações voltadas à defesa da luta antimanicomial e à promoção do cuidado em liberdade.




